19/01/2023 - Foi observado um incrível crescimento no número de desovas da população ↓
O nordeste brasileiro constitui uma importante área de desova de tartaruga-oliva (Lepidochelys olivacea), sendo que o maior número de ninhos ocorre ao longo do litoral de Sergipe e o norte da Bahia. Recentemente, foi publicado na revista científica Herpetological Conservation and Biology um estudo desenvolvido pela Fundação Projeto Tamar que avaliou dados desde as temporadas reprodutivas de 1991/1992 até 2018/2019. E o resultado foi surpreendente! Um evidente e incrível crescimento de cerca de 50 vezes no número de desovas foi observado na população: de 252 ninhos em 1991/1992 para 12.709 ninhos em 2018/2019. O estudo estimou ainda, com base no número de desovas realizado por fêmea a cada temporada e no período de remigração, que a abundância de fêmeas de tartaruga-oliva varia de 13.873 a 17.885 na região. Um número surpreendente e gratificante que valora 40 anos de ações do Projeto Tamar em prol da conservação marinha e ressalta a importância do monitoramento e proteção de áreas de desova a longo prazo.

Assim como as outras espécies de tartarugas marinhas, as tartarugas-oliva sofreram com uma série de atividades humanas que reduziram fortemente o tamanho de sua população no passado. Antes da implantação das bases do Projeto Tamar nas áreas prioritárias de desova na década de 80, era comum o consumo de ovos e abate de fêmeas pelas comunidades litorâneas, bem como o comércio do casco destes animais. Aos poucos, através de ações de conservação, educação ambiental e inclusão social, esta realidade mudou. As comunidades locais tornaram-se aliadas à conservação e colaboram ano a ano com a proteção dos ninhos e fêmeas que usam o litoral para cumprir seu ciclo de vida.

Cada estaca sinaliza um ninho
Hoje, no entanto, há outras atividades humanas que ameaçam a sobrevivência das tartarugas marinhas, como atividades de pesca contínuas que se sobrepõem às áreas de alimentação delas e ocasionam a captura incidental destes animais, e a fotopoluição nas áreas costeiras advindas de complexos hoteleiros e condomínios, que confundem os filhotes e não permitem que cheguem ao mar após o nascimento. Por isso, precisamos ficar atentos e seguir com ações de conservação para minimizar estes impactos e garantir que esta população se mantenha estável e em crescimento no futuro.

Para ter acesso ao estudo, acesse: https://www.herpconbio.org/contents_vol17_issue3.html
Fundação Projeto Tamar participa da Reunião da Rede ASO, na Argentina
Fundação Projeto Tamar participa do Dia Mundial de Limpeza de Praias
Fundação Projeto Tamar no IX Congresso Brasileiro de Oceanografia (CBO’2026)
Uma temporada termina, outra começa e o ciclo da vida continua
Das tartareias às ondas: uma história de sonhos, família e conservação
Novo estudo aponta avanços na conservação das tartarugas marinhas, mas destaca desafios persistentes
Fundação Projeto Tamar é reconhecida como Posto Avançado da Reserva da Biosfera da Mata Atlântica