18/01/2019 - Conteúdos sobre o fundo do mar, conhecimento para proteger as tartarugas marinhas e 39 anos de ciência, cultura e conservação. Leia mais. ↓
Os Museus do TAMAR são centros de visitação equipados com estrutura e pessoal preparado para sensibilizar sobre as ameaças e desafios para a conservação das tartarugas marinhas. Nestes locais que preservam, pesquisam e difundem conhecimento é possível se aproximar do ambiente marinho e embarcar junto com o TAMAR na aventura de proteger as tartarugas. Eles mostram o trabalho de pesquisa que acontece em praias distantes desde 1980, geram renda para os moradores locais e arrecadam recursos para as ações de pesquisa e conservação. Juntos já receberam mais de 20 milhões de visitantes.
Conhecimento, amor e respeito
O fundador do Projeto TAMAR, oceanógrafo Guy Marcovaldi, conta que depois que ele e colegas estudantes enviados pelo Museu Oceanográfico da FURG chegaram às praias do nordeste para pesquisar, no final dos anos 70, viram a situação crítica das tartarugas marinhas. Começaram um movimento que juntou muita gente, e até o governo, todos curiosos sobre os animais até então desconhecidos.
“O conhecimento tradicional dos pescadores que adquirimos nas expedições de pesquisa, unido a nossa vontade de não deixar acabarem com esses animais que só conhecíamos nos livros importados e achávamos que sua reprodução não acontecia no Brasil, nos deu forças para inventar soluções para problemas da época. Mostrávamos das formas mais criativas o conhecimento acumulado com as pesquisas que fazíamos para entender melhor os animais e engajávamos as pessoas, já no início dos anos 80, com conteúdos relevantes para a sobrevivência dessas espécies. Começávamos a possibilitar a criação de laços afetivos entre as pessoas e esses animais. É assim até hoje, amar e respeitar para proteger”, diz Marcovaldi.
Conteúdos sobre o fundo do mar
Conhecer a fauna marinha da região e saber como se protege as tartarugas aproxima crianças e adultos de onde apenas submarinos e mergulhadores conseguem chegar. O TAMAR já fez mais de 300 vídeos sobre diversos temas de pesquisa e conservação das tartarugas marinhas, um acervo digital disponível a todos que têm interesse em saber mais sobre os assuntos abordados nos centros de visitação. Tem também exposições de painéis fotográficos com informações científicas e curiosidades, loja e restaurante. Atividades interativas e imersivas, permitem vivenciar com todos os sentidos a conservação das tartarugas. Um espaço cultural recebe eventos com artistas locais, nacionais e internacionais, que fortalecem a mensagem da conservação das tartarugas marinhas.
O TAMAR trabalha na pesquisa, proteção e manejo das cinco espécies de tartarugas marinhas que ocorrem no país, todas ameaçadas de extinção: tartaruga-cabeçuda (Caretta caretta), tartaruga-de-pente (Eretmochelys imbricata), tartaruga-verde (Chelonia mydas), tartaruga-oliva (Lepidochelys olivacea) e tartaruga-de-couro (Dermochelys coriacea). Protege cerca de 1.100 quilômetros de praias e está presente em 26 localidades, em áreas de alimentação, desova, crescimento e descanso das tartarugas marinhas, no litoral e ilhas oceânicas dos estados da Bahia, Sergipe, Pernambuco, Rio Grande do Norte, Ceará, Espírito Santo, Rio de Janeiro, São Paulo e Santa Catarina.
Ameaças à sobrevivência das 5 espécies
As atividades humanas provocam impactos em todos os estágios do ciclo de vida das tartarugas marinhas, desde a perda de áreas de desova e dos habitats até a mortalidade na costa e em alto-mar. Redes de pesca, anzóis, degradação de áreas de desova, fotopoluição e a poluição dos oceanos, além das mudanças climáticas, são os principais inimigos das tartarugas e podem interromper a chance de recuperação das cinco espécies que ocorrem em nosso país.
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