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Nascimento de filhotes de tubarão-Olho-de-Gato no Museu da Fundação Projeto Tamar

24/04/2026 - O Submarino Amarelo da Praia do Forte está de volta e, com ele, mais um importante marco no sucesso reprodutivo dos tubarões: o nascimento de uma nova geração de tubarões Olho-de-Gato. ↓

O Submarino Amarelo é um espaço único, onde o público é convidado a embarcar em uma viagem ao fundo do mar e a conhecer de perto os animais que habitam as profundezas do oceano.

A iniciativa surgiu a partir de pesquisas com anzóis circulares (um tipo de anzol que reduz os danos às tartarugas marinhas em casos de captura acidental), desenvolvidas no âmbito do Programa Nacional de Redução da Captura Incidental de Tartarugas Marinhas (PNRTM). Esses estudos são realizados na região da Praia do Forte (BA), em profundidades entre 200 e 1200 metros, uma vez que a tartaruga marinha pode mergulhar até essas profundidades.

Durante as pesquisas, foram registradas espécies inéditas para a ciência, além de novos registros de famílias e gêneros para o Brasil e o Atlântico Sul. Algumas dessas espécies podem ser observadas no Submarino Amarelo, como é o caso do tubarão-Olho-de-Gato (Scyliorhinus aff. ugoi).

O tubarão-Olho-de-Gato  é um pequeno tubarão que pode ser encontrado entre 300 e 825 metros de profundidade e pode alcançar até 63 centímetros de comprimento. Alimenta-se de peixes, lulas e crustáceos e, devido à sua baixa motilidade, é uma espécie que se adapta bem em ambiente controlado. Trata-se de um tubarão ovíparo que vem se reproduzindo com sucesso no ambiente do Submarino Amarelo, permitindo ao público acompanhar de perto o seu ciclo reprodutivo, desde a observação dos ovos, que medem cerca de 6 por 3 centímetros e possuem cápsulas translúcidas que possibilitam visualizar o desenvolvimento dos embriões, até o nascimento dos filhotes.

Diferente dos seres humanos, os tubarões, em geral, não apresentam cuidado parental, ou seja, a mãe não acompanha o desenvolvimento dos filhotes após o nascimento. No entanto, o tubarão-Olho-de-Gato apresenta uma estratégia interessante: seus ovos possuem longos filamentos que permitem sua fixação em rochas ou vegetação, evitando que sejam levados pela correnteza. Além disso, produzem ovos com nutrientes (vitelo) que garantem que o filhote nasça forte.

Os dois primeiros filhotes nasceram recentemente: um macho e uma fêmea, ambos com cerca de 10 centímetros de comprimento e aproximadamente 5 gramas. Os ovos passam por um período de incubação que pode variar de 7 a 10 meses. Um aspecto interessante desse processo é que a fêmea já chegou à Fundação Projeto Tamar fecundada, o que é possível graças à incrível capacidade de armazenar esperma por longos períodos, que podem variar de meses até alguns anos. Essa é uma estratégia reprodutiva que garante a fertilização mesmo na ausência de um parceiro, permitindo ainda que a fêmea mantenha o esperma viável e fertilize seus óvulos em momentos mais favoráveis.

Também foi possível acompanhar de perto o período reprodutivo dessa fêmea, observando alterações como o aumento da circunferência abdominal e do apetite. Pouco tempo após sua chegada, ela começou a depositar ovos, totalizando 24 até o momento. Estima-se que a fêmea possa depositar cerca de 38 ovos por ciclo reprodutivo.

Além da fêmea adulta e de seus filhotes, o submarino amarelo também conta com um indivíduo adulto macho, que foi o primeiro a chegar, em 2025, marcando o início de uma nova fase nas atividades com essa espécie. Carinhosamente apelidado de “padrasto”, por não ser o genitor dos novos filhotes, ele ainda assim faz parte dessa importante história de sucesso.

No Brasil, ainda há poucos estudos publicados sobre esse grupo, o que torna cada nascimento ainda mais significativo. Esse sucesso reprodutivo representa um avanço importante para a ciência, contribuindo para ampliar o conhecimento sobre a biologia e o comportamento da espécie, além de fortalecer as ações de educação ambiental. Iniciativas como essa também abrem caminhos para futuras pesquisas, incluindo estudos genéticos, manejo em ambiente controlado e estratégias voltadas à conservação, especialmente para espécies que habitam ambientes profundos e ainda pouco explorados.

Tartaruga Tartaruga-de-pente ou Tartaruga-legítima

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